UM OUTRO OLHAR SOBRE
O CORTE/CONTINGENCIAMENTO DAS VERBAS DA EDUCAÇÃO
Sérgio Ferraz de Lima
– maio de 2019.
Nos últimos dias tivemos uma
acirrada discussão sobre os cortes/contingenciamento das verbas para a educação,
particularmente nas universidades federais. Os argumentos apresentados por
ambos os lados, quem cortou e quem sofreu o corte, eram mais queixas do que qualquer
outra coisa. “Os reitores estão preocupados com os cortes que, segundo o MEC,
representam 24,84% dos gastos não obrigatórios: as chamadas despesas
discricionárias como água, luz, material e pesquisa, por exemplo. O governo diz
que não se trata de corte, mas de contingenciamento, um bloqueio de verbas por
causa da queda na arrecadação” (Por Jornal Nacional, 16/05/2019 22h02).
Como as universidades não são um fim em si
mesmas é necessário verificar o porquê de suas existências e sua legitimidade
dentro das sociedades.
A educação superior assume importância
(legitimidade) pelo seu desempenho dentro do sistema social, como um subsistema. Tem como objetivo, na
perspectiva da teoria dos sistemas, a contribuição “ótima” ao melhor desempenho
do sistema social. Assim deverá formar as
competências que são indispensáveis para essa atuação, que são de duas espécies:
a primeira a competição mundial dos países e a segunda de fornecer ao sistema
social as competências correspondentes às suas exigências próprias, que são a
de manter a coesão interna (LYOTARD, 2009).
Se essa premissa é verdadeira seria muito mais
produtivo, de ambas as partes, verificar onde esse desempenho não está sendo satisfatório,
com gastos maiores que os resultados esperados, e montar o contingenciamento junto
com programas de produtividade, definindo metas e comprometendo-se com o desempenho.
Para ilustrar essa posição
pensemos no Programa Mais Médicos, que
tem como objetivo proporcionar assistência medica a todos os municípios brasileiros.
Se levarmos em conta que a educação superior deve “fornecer ao sistema social as
competências correspondentes às suas exigências próprias”, verificamos que até
hoje os problemas continuam. Chegamos a trazer formandos de outros lugares (Cuba
por exemplo), com as vagas ainda em aberto e brasileiros morrendo por falta de assistência.
Não seria de perguntarmos ao MEC
e aos reitores das universidades federais, o por que disso?
Penso que a saída será nos
focarmos nos problemas práticos e ir
em busca de soluções que nos levem ao entendimento.
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