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quinta-feira, 30 de maio de 2019

REFORMAS SOCIAIS URGENTES – PREVIDÊNCIA

Sérgio Ferraz de Lima – maio 2019

Procuro nesse ensaio sobre reformas sociais urgentes - previdência, o mesmo sentido de um ensaio fotográfico; - clarear os ângulos, melhorar o foco, encontrar uma posição racional diante desse assunto.

Na vida social existem vários problemas que tem de ser resolvidas de qualquer forma. Um desses problemas foi a hiperinflação no Brasil dos anos 90, que foi debelada pelo Plano Real.
Recordando, o Plano Real foi um programa com o objetivo de estabilização e reformas econômicas, iniciado em 27 de fevereiro de 1994 com a publicação da medida provisória número 434. Tal medida provisória instituiu a Unidade Real de Valor (URV), estabeleceu regras de conversão e uso de valores monetários, iniciou a desindexação da economia, e determinou o lançamento de uma nova moeda, o real. O programa foi a mais ampla medida econômica já realizada no Brasil e tinha como objetivo principal o controle da hiperinflação que assolava o país. Utilizou-se de diversos instrumentos econômicos e políticos para a redução da inflação que chegou a 46,58% ao mês em junho de 1994, época do lançamento da nova moeda.
O Plano Real mostrou-se nos meses e anos seguintes o plano de estabilização econômica mais eficaz da história, reduzindo a inflação (objetivo principal), ampliando o poder de compra da população, e remodelando os setores econômicos nacionais (WIKIPEDIA, 2019).

Hoje o maior desafio está no desemprego em massa e a nossa atenção deve estar focada em encontrar soluções para esse problema gigantesco. A taxa de desemprego, que subiu para 12,7% no trimestre encerrado em março, atingindo 13,4 milhões de pessoas, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aniquila qualquer esperança de um futuro melhor.




Se a oportunidade de os cidadãos levarem uma vida com dignidade é o problema mais urgente a ser enfrentado, a busca é pela criação de empregos.

Para isso acontecer, o aquecimento da economia, com mais investimentos, tanto público como privado, é fundamental.  Mas, o maior entrave é o problema fiscal, o governo gasta mais do que arrecada, como resolver essa equação?

A proposta apresentada por parte do governo para equacionar esse problema, é a reforma da previdência.
Como já foi debatido em vários meios o seu conteúdo, destaco na proposta o que seria fundamental para a geração de empregos, o item 41 (políticas públicas), que trata dos investimentos:

41. Limitação de outras políticas públicas. O cenário de crescente absorção de recursos orçamentários para fins previdenciários ocorre numa realidade econômica desafiadora tanto para a União como para os entes federativos, na medida em que a previdência pública já representa elevada participação nas despesas totais. No caso da União, é notável o crescimento da participação da despesa previdenciária no orçamento. A despesa com o RGPS passou a representar de 35,4% para 43,4% da despesa primária entre 1997 e 2018. Nesse contexto, a pressão fiscal oriunda da crescente necessidade de financiamento da previdência requererá o contínuo direcionamento de recursos orçamentários de outras políticas públicas. Em 2018, considerando RGPS, RPPS da União de civis, militares e Fundo Constitucional do Distrito Federal ― FCDF, chega-se a uma despesa pública com previdência, apenas na União, da ordem de R$ 717,5 bilhões, o que representou cerca de 53% da despesa primária. Ao se considerar, adicionalmente, a despesa com BPC/LOAS, o montante se eleva a R$ 773,7 bilhões ou cerca de 57% da despesa primária. Somando os gastos com pessoal ativo, atinge-se praticamente 70% da despesa primária, sobrando uma parcela muito pequena para utilizar nas demais políticas públicas. Como exemplo, o total gasto com investimentos pela União, imprescindíveis para a melhoria da qualidade de vida das pessoas e para um crescimento econômico sustentado, atingiu apenas R$ 44 bilhões em 2018 (grifo meu). Sem ajustes, o comprometimento do orçamento com gastos previdenciários deve crescer de forma expressiva.

A racionalidade dessa atuação política está vinculada ao atingimento do objetivo de proporcionar capacidade para investimentos, públicos e privados, e com isso criar empregos.

Como a bola está com o congresso, penso que é necessário o parlamento se dedicar inteiramente na sua análise, e se necessário melhorar e/ou apresentar rapidamente a solução para esse problema.

Como diz Fernando Schüler no seu artigo da Folha de São Paulo de 30.05.19 :"Talvez descubramos que não era má a ideia de que o Congresso tomasse as rédeas de uma reforma difícil, como a da Previdência, e que a prática de distribuir ministérios e diretorias da Caixa Econômica Federal para arrumar votos, no Parlamento, não guardava nenhuma virtude. Era apenas uma mazela (mais uma) de um país que se acostumou com muito pouco”.

Esse deve ser o assunto mais premente da política nacional, a busca de soluções eficientes para esse problema e assim, minimizar o sofrimento da população brasileira, com urgência!!!

terça-feira, 21 de maio de 2019


UM OUTRO OLHAR SOBRE O CORTE/CONTINGENCIAMENTO DAS VERBAS DA EDUCAÇÃO
Sérgio Ferraz de Lima – maio de 2019.

Nos últimos dias tivemos uma acirrada discussão sobre os cortes/contingenciamento das verbas para a educação, particularmente nas universidades federais. Os argumentos apresentados por ambos os lados, quem cortou e quem sofreu o corte, eram mais queixas do que qualquer outra coisa. “Os reitores estão preocupados com os cortes que, segundo o MEC, representam 24,84% dos gastos não obrigatórios: as chamadas despesas discricionárias como água, luz, material e pesquisa, por exemplo. O governo diz que não se trata de corte, mas de contingenciamento, um bloqueio de verbas por causa da queda na arrecadação” (Por Jornal Nacional, 16/05/2019 22h02).
 Como as universidades não são um fim em si mesmas é necessário verificar o porquê de suas existências e sua legitimidade dentro das sociedades.  
A educação superior assume importância (legitimidade) pelo seu desempenho dentro do sistema social, como um subsistema. Tem como objetivo, na perspectiva da teoria dos sistemas, a contribuição “ótima” ao melhor desempenho do sistema social. Assim deverá formar as competências que são indispensáveis para essa atuação, que são de duas espécies: a primeira a competição mundial dos países e a segunda de fornecer ao sistema social as competências correspondentes às suas exigências próprias, que são a de manter a coesão interna (LYOTARD, 2009).
 Se essa premissa é verdadeira seria muito mais produtivo, de ambas as partes, verificar onde esse desempenho não está sendo satisfatório, com gastos maiores que os resultados esperados, e montar o contingenciamento junto com programas de produtividade, definindo metas e comprometendo-se com o desempenho.
Para ilustrar essa posição pensemos no Programa Mais Médicos, que tem como objetivo proporcionar assistência medica a todos os municípios brasileiros. Se levarmos em conta que a educação superior deve “fornecer ao sistema social as competências correspondentes às suas exigências próprias”, verificamos que até hoje os problemas continuam. Chegamos a trazer formandos de outros lugares (Cuba por exemplo), com as vagas ainda em aberto e brasileiros morrendo por falta de assistência.
Não seria de perguntarmos ao MEC e aos reitores das universidades federais, o por que disso?
Penso que a saída será nos focarmos nos problemas práticos e ir em busca de soluções que nos levem ao entendimento.