Pesquisar este blog

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

APRENDIZAGEM VIRTUAL

APRENDIZAGEM VIRTUAL


Sérgio Ferraz de Lima – setembro 2010

O uso de meios eletrônicos para "aprendizagem" (entre aspas), que vai desde um ambiente virtual de aprendizagem sofisticado até uma aula enfeitada eletronicamente, tem sido cada vez mais utilizados para a oferta da educação superior.
A modalidade educação a distancia – EAD, no ensino superior brasileiro, tem crescido vertiginosamente, de 2000 a 20006 as matriculas subiram de 1.682 para 207.206 alunos, segundo dados do INEP/MEC.

Portanto, esse é um tema que pela sua importância ocupará, cada vez mais, os estudos dos educadores e/ou pesquisadores, que assim poderão entender, projetar e melhorar a qualidade dessa forma de educação.

Como então pensar sobre aprendizagem virtual? – Um dos caminhos é a incorporação de novos conceitos, como por exemplo, a presença virtual, necessária para um melhor entendimento do tema. Mesmo com os avanços na área da informática a presença do sujeito continua sendo fundamental na sua relação com o objeto. Os aparatos eletrônicos como computadores, tablet´s, smartphone´s, etc., necessitam da presença do sujeito para que o pensamento, as idéias sejam colocadas e ordenadas dando assim sentido às ações propostas.

Incorporando novos conceitos para instrumentalizar a analise das formas na relação entre educação e qualidade, uma das primeiras questões é a comparação entre educação presencial e EAD, em outras palavras, onde ocorre uma melhor aprendizagem, na modalidade presencial ou virtual?

Penso que existe uma condição anterior a esse debate - Quais as características presentes em instituições que oferecem uma educação de qualidade comprovada por avaliações externas?

O que se verifica nessas instituições é uma frenética e boa mistura, de todas as possibilidades de utilização de meios que proporcionem uma melhor forma de construção do conhecimento. O ambiente criado, virtual ou não, de debate, exposições, argumentações, teorias, conceitos, idéias, etc., tem o papel de catalisar as forças e energias no mesmo sentido, a busca de um conhecimento que sirva de alicerce para o desenvolvimento socioeconômico. O que está em jogo é o ambiente propicio a aprendizagem.

Sendo o eixo principal a aprendizagem, e tendo um ambiente acadêmico que abriga várias formas de inteligências, guiado pela meritocracia a possibilidade de uma educação de qualidade cresce exponencialmente.


Transportando essa discussão para ambientes virtuais de aprendizagem, é necessário verificar se os pressupostos básicos da aprendizagem estão presentes, como por exemplo, o papel que desempenha as ferramentas de interatividade eletrônica (virtual). Sabemos que a aprendizagem se alimenta da dúvida, do diálogo, argumentos bem elaborados dando espaço para a contra argumentação, pois foi desta forma que a ciência possibilitou o desenvolvimento crescente nos últimos tempos.
Assim, as ferramentas virtuais devem permitir alem das suas vantagens, como o diálogo remoto em tempo real, redes sociais, etc., a transformação da linguagem da WEB em linguagem acadêmica, seguindo principalmente o método científico, dessa forma incorporamos um dos aspectos fundamentais para o entendimento racional dos fenômenos estudados e ganhamos as vantagens do ambiente virtual.

Essencialmente se combina, nessa relação, às vantagens de ambos os ambientes, que notadamente podem proporcionar uma melhor aprendizagem.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

O PLANO DE DESENVOLVIMENTO INSTITUCIONAL – PDI

O PLANO DE DESENVOLVIMENTO INSTITUCIONAL – PDI
COMO FERRAMENTA DA ADMINISTRAÇÃO ESTRATÉGICA.
Sérgio Ferraz de Lima – setembro 2010.
Vamos começar com uma obviedade, planos, projetos, e outros instrumentos de gestão, são utilizados pelos administradores para previsões, ou seja, com o propósito de “enxergarem” o futuro.

Abordo aqui um tipo especifico de plano, o plano de desenvolvimento institucional (PDI), obrigatório para as instituições de ensino superior (IES) no Brasil, e sua relação com a Administração Estratégica. A incorporação da questão estratégica no desenvolvimento do PDI torna-se fundamental para fazer frente às surpresas que um ambiente em franca expansão e com mudanças acentuadas apresenta, como é o caso da educação brasileira.
No controle dos ambientes a gestão estratégica deve dar respostas através de ações. O resultado esperado, nesse sentido, nas instituições de ensino superior, é que o PDI possua condições de ser uma ferramenta de alto potencial na administração de questões estratégicas.

Administração estratégica

A definição de estratégia que Castor, apud Chandler (2006, p.30), mais aprecia é “[...] a determinação das metas e objetivos básicos em longo prazo de uma empresa bem como da adoção de cursos de ação e a alocação dos recursos necessários à consecução dessas metas”.
Exemplo de objetivos e metas (longo prazo) pode ser encontrado no Plano Nacional de Educação no seu item “4.3 Objetivos e Metas. I. Prover, até o final da década, a oferta de educação superior para, pelo menos, 30% da faixa etária de 18 a 24 anos”, ou seja, o Estado brasileiro tem como objetivo estratégico prover educação superior a sua juventude e a meta determinada até o ano de 2011, 30% dos jovens de 18 a 24 anos no ensino superior.
A realização de objetivos e metas depende da potencialidade da administração geral da instituição. Quando a administração possui o componente estratégico, a gestão das ações para atingir os objetivos e metas, fica mais complexa e a organização necessita possuir ou adquirir potencialidade para enfrentar as turbulências futuras prováveis.

Em outras palavras, se adjetivarmos a administração com o conceito de estratégia, teremos administração estratégica, que segundo Ansoff e McDonnel (1993), é um enfoque sistemático que possui a finalidade de posicionar e relacionar a empresa a seu ambiente. Portanto, temos mais um componente nessa equação, o tema do ambiente.
Os ambientes apresentam, conforme o ramo de atuação, situações que vão da calmaria até grandes turbulências, usando uma metáfora da aviação do “céu de brigadeiro a tempestade da pesada”.
A administração estratégica deve levar em conta, a situação do ambiente e os fatores críticos de sucesso futuro, condições chave para o diagnostico da potencialidade institucional para se posicionar perante as turbulências (ANSOFF, MCDONNEL, 1993).
Porém, para levar em conta a situação ambiental, as organizações devem diagnosticar quais os desafios que irão enfrentar no futuro, isso é possível segmentando - a em áreas estratégicas, distintas que tendam a estar em níveis diferentes de turbulência. No caso da educação poderíamos pensar no ensino presencial e a distancia que possivelmente enfrentarão turbulências em diferentes níveis.
O fator tempo, também, deve estar presente nesse diagnostico de turbulência futura, a análise pode ser feita levando seguindo a recomendação de Ansoff e McDonnel (1993, p.61) “um horizonte útil é o tempo necessário para desenvolver uma nova geração de produtos ou serviços”. As etapas do diagnostico estratégico “baseiam-se tanto em julgamento quanto em dados projetados”.  
Assim, é necessário monitorar as ações para obter sucesso na gestão organizacional. Em ambientes estáveis basta uma boa administração da organização para que os resultados positivos apareçam. Porém quando estes ambientes tornam-se extremamente voláteis é necessário acrescentar um monitoramento externo para captar e antever problemas das mais diversas ordens. A administração estratégica se propõe a isso. No caso das instituições de ensino superior o instrumento que pode traduzir as ações da administração estratégica é o PDI. Seguindo os princípios da administração estratégica poderemos separar os problemas que necessitam de um tratamento imediato (alta freqüência) e os que podem ser resolvidos pela estrutura (baixa freqüência). Mas o principal da administração estratégica vinculada com o PDI é a idéia de monitoramento contínuo.  
Referências
ANSOFF, I. H., MCDONNEL, E.J. Implantando a administração estratégica. 2ª ed. São Paulo: Atlas, 1993.
CASTOR, B. V. J. Tamanho não é documento: estratégias para a pequena e a microempresa brasileira. Curitiba: EBEL, 2006.
CROZIER, M., FRIEDBERG, E. L´acteur et lê système. Paris: editions du Seuil, 1977.
POPPER, K.R. A vida é aprendizagem. Lisboa: edições 70, 1999.