Pesquisar este blog

quarta-feira, 26 de março de 2025

 

CO² - COMPRIMIDOS PARA COMPREENSÃO

Inteligência Humana e Inteligência Artificial

“A construção do conhecimento - experimentando do próprio veneno”

Lima – março 2025

 

A partir do Século XVII a construção do conhecimento, via pesquisa, utilizando o método científico, estabelecendo hipóteses e fazendo medições sistemáticas observáveis, passa a ser o instrumento das inovações e na forma de ler, intervir e projetar a realidade. O “capital intelectual” passa a ser decisivo para a oportunidade de desenvolvimento das Nações.

De fato, a Europa deslanchou – superou o Oriente, em especial a China

com ciência e tecnologia, que podemos resumir no “método científico” positivista: estritamente lógico-experimental [...] Reduz a realidade a seus formatos lineares, sequenciais, algorítmicos, formais, na expectativa conjugada ontológica e epistemológica: para uma realidade ontologicamente simples em suas estruturas mais profundas e invariantes [...] Os modos que temos para explicar a realidade são naturalmente reducionistas, porque explicar implica simplificar, como são teorias e modelos (DEMO, 2018).

 

A ciência (questionamentos sistemáticos), avança e pragmaticamente leva a ações, ou seja, conhecimento torna-se instrumento de “manipulação” da realidade, traduzido em tecnologias. Esse processo se dá de várias formas, principalmente em laboratórios, onde são estudados e transformados em inscrições (números, percentagens, estatísticas, experimentos etc.) decompondo e combinando fatos e máquinas, em informações, projetando intervenções na sociedade.

O processo de evolução nos legou uma inteligência, que foi aperfeiçoada durante séculos. A ciência é uma forma desenvolvida pela inteligência humana. Como vimos acima, utilizamos do artificio de reduzir a realidade a seus formatos lineares, sequenciais, algorítmicos, entrando nos jogos de linguagens.

Esse entendimento foi crucial para a I.A. Como os dados de linguagens fluem em ordem sequencial, podendo ser transformados em grandes modelos de linguagem (LLMs em inglês) uma vez que cada unidade de informação está de alguma forma relacionada a dados anteriores em uma série. Pesquisadores do Google desenvolveram um sistema de IA que focasse somente nas partes importantes de uma série de dados, a fim de fazer previsões precisas e eficientes sobre o que viria em seguida (SULEYMAN E BHASKAR, 2024).

Isso levou a IA a se afastar dos átomos e se aproximar dos Bits, novos níveis de abstração, cada vez mais com pretensões generalizantes, se desmaterializando e proporcionando um desenvolvimento acelerado, de difícil controle.

Com alguma precaução, podemos afirmar que a construção de conhecimento (ciência) a inteligência humana e inteligência artificial trabalham com a mesma lógica.

Isso poderá nos levar a condições melhores na saúde, educação, segurança etc., mas também por um caminho tenebroso, como armas aprimoradas pela IA etc., ou seja, experimentando do próprio veneno.

A relação IH&IA, abrangeria nessa discussão, o distinguir e aproveitar as potencialidades das inteligências, para mantermos essa e outras tecnologias que virão sob o controle da humanidade.

Segundo SULEYMAN (2024, p. 352), Os riscos de fracasso são quase altos demais para imaginar, mas precisamos enfrentá-los. O prêmio, todavia, é incrível: nada menos que o florescimento seguro e prolongado de nossa espécie.