CO² -
COMPRIMIDOS PARA COMPREENSÃO
Inteligência
Humana e Inteligência Artificial
“A
construção do conhecimento - experimentando do próprio veneno”
Lima –
março 2025
A partir do Século XVII a
construção do conhecimento, via pesquisa, utilizando o método científico,
estabelecendo hipóteses e fazendo medições sistemáticas observáveis, passa a
ser o instrumento das inovações e na forma de ler, intervir e projetar a
realidade. O “capital intelectual” passa a ser decisivo para a oportunidade de
desenvolvimento das Nações.
De fato, a Europa
deslanchou – superou o Oriente, em especial a China –
com ciência e
tecnologia, que podemos resumir no “método científico” positivista:
estritamente lógico-experimental [...] Reduz a realidade a seus formatos
lineares, sequenciais, algorítmicos, formais, na expectativa conjugada
ontológica e epistemológica: para uma realidade ontologicamente simples em suas
estruturas mais profundas e invariantes [...] Os modos que temos para explicar
a realidade são naturalmente reducionistas, porque explicar implica simplificar,
como são teorias e modelos (DEMO, 2018).
A ciência (questionamentos
sistemáticos), avança e pragmaticamente leva a ações, ou seja, conhecimento
torna-se instrumento de “manipulação” da realidade, traduzido em tecnologias.
Esse processo se dá de várias formas, principalmente em laboratórios, onde são
estudados e transformados em inscrições (números, percentagens, estatísticas, experimentos
etc.) decompondo e combinando fatos e máquinas, em informações, projetando
intervenções na sociedade.
O processo de evolução nos
legou uma inteligência, que foi aperfeiçoada durante séculos. A ciência é uma
forma desenvolvida pela inteligência humana. Como vimos acima, utilizamos do
artificio de reduzir a realidade a seus formatos lineares, sequenciais,
algorítmicos, entrando nos jogos de linguagens.
Esse entendimento foi crucial
para a I.A. Como os dados de linguagens fluem em ordem sequencial, podendo ser
transformados em grandes modelos de linguagem (LLMs em inglês) uma vez que cada
unidade de informação está de alguma forma relacionada a dados anteriores em
uma série. Pesquisadores do Google desenvolveram um sistema de IA que focasse
somente nas partes importantes de uma série de dados, a fim de fazer previsões
precisas e eficientes sobre o que viria em seguida (SULEYMAN E BHASKAR, 2024).
Isso levou a IA a se afastar
dos átomos e se aproximar dos Bits, novos níveis de abstração, cada vez mais
com pretensões generalizantes, se desmaterializando e proporcionando um desenvolvimento
acelerado, de difícil controle.
Com alguma precaução, podemos
afirmar que a construção de conhecimento (ciência) a inteligência humana e
inteligência artificial trabalham com a mesma lógica.
Isso poderá nos levar a
condições melhores na saúde, educação, segurança etc., mas também por um
caminho tenebroso, como armas aprimoradas pela IA etc., ou seja, experimentando do próprio veneno.
A relação IH&IA, abrangeria
nessa discussão, o distinguir e aproveitar as potencialidades das inteligências,
para mantermos essa e outras tecnologias que virão sob o controle da
humanidade.
Segundo SULEYMAN (2024, p. 352), Os riscos de fracasso são quase altos demais para imaginar, mas precisamos enfrentá-los. O prêmio, todavia, é incrível: nada menos que o florescimento seguro e prolongado de nossa espécie.