GESTÃO UNIVERSITÁRIA –OBJETO ESTRATÉGICO DE ANÁLISE (OEA)
SÉRGIO FERRAZ DE LIMA – julho de 2015.
Pretende-se nesse texto desenvolver parâmetros para a
concepção de objetos estratégicos de
análise (OEA) para a utilização na gestão dos setores administrativos das instituições
de educação superior (IES).
Esses objetos são pontos de controle e de previsão de
desempenho futuro escolhidos dentro dos setores para orientar a gestão
universitária. A hipótese levantada é que a utilização dos OEA melhora a Gestão
das IES e, por conseguinte dos seus resultados.
Uma aproximação do tema pode ser feita pela analogia com a
pesquisa científica, no conceito de objeto.
Objeto é o que pode ser percebido pelos nossos sentidos ou
pela inteligência. (HOUAISS, 2001, p.315).
Para Fourez (1995, p.48) “um objeto só é um objeto sob
condições de ser determinado objeto descritível, comunicável em uma
linguagem”. Para Demo (2015, p. 1) “O
primeiro passo para pesquisar é ter um “objeto” (pesquisável). Para ciência objeto
é algo específico, restrito, bem cercado, formalizado [...] É procedimento
científico comum a verticalização da
análise (grifo meu), ou seja, não se espraiar em considerações gerais,
abordagens amadoras, chutes levianos, mas aprofundar sistematicamente”.
Seguindo o nosso tema, é necessário definir estratégia,
segundo Ansoff (1993, p. 70) “é um conjunto de regras de tomada de decisão para
a orientação do comportamento de uma organização”.
Podemos agora, juntando objeto com estratégia, formatar o
conceito de objeto estratégico de análise, como sendo: - algo específico
formalizado, que orienta a tomada de decisão de uma organização.
Como a gestão é uma atividade pragmática orientada para
resultados, a pergunta é: a utilização
de OEA melhora o desempenho da IES na busca de suas finalidades?
Identificando nos
setores objetos estratégicos de análise (OEA)
Para identificarmos algo é necessário conhecer, para Latour (2000,
p. 356) conhecer é tornar familiar, ou seja, conhecer é a familiaridade com
eventos, lugares e pessoas, que são vistos e revistos muitas vezes.
A pergunta: - Nos setores de uma IES como podemos nos
familiarizar com os eventos, processos?
Um caminho é definindo os recursos que compõem uma IES com os
quais devemos nos familiarizar.
Os recursos de uma organização, em termos genéricos, são
classificados em cinco grandes categorias: financeiros, humanos, materiais,
tecnológicos e organizacionais (CASTOR, 2006, p. 101).
Transportando para a parte administrativa e de planejamento
de uma IES, a estrutura organizacional pode ser desenhada com os seguintes
setores:
·
Financeiro;
·
Recursos Humanos;
·
Marketing;
·
Infraestrutura;
·
Tecnologia da informação.
Tomando como referência as áreas
funcionais, na parte de administração e planejamento de uma IES, o próximo
passo é a formalização dos objetos de análise.
A montagem desse objeto de
análise acumulando as informações, proporciona o conhecimento do setor, pela
transformação em tudo que possa ser mobilizado, reunido, arquivado, codificado
e mostrado. Todas essas informações ocupam um ciclo de acumulação, onde não
importa se estão longe ou perto, se são grandes ou pequenas, terminam numa
escala tal que possa ser dominada e recuperada a qualquer momento. (LATOUR, 2000, p. 369).
Por exemplo a área financeira, para
a montagem de OEA`s, requerer a definição do nível de importância do processo
que será monitorado (objeto) para orientar o planejamento e tomada das
decisões.
Um setor financeiro lida com dois
processos principais, a entrada e saída dos recursos financeiros. Assim a
atenção principal estará nesses dois segmentos.
No primeiro OEA – entradas – se busca: quais, com que
frequência, etc., são as informações que compõem esse OEA, que devem ser
monitoradas e transformadas em relatórios, em outras palavras, quais as
informações sobre esse OEA estão disponíveis e como serão combinadas para dar
apoio as decisões financeiras.
Uma das primeiras decisões a tomar é quanto
daquelas informações coletadas deve fazer parte do relatório estratégico de tomada
de decisão. Na prática penso que devemos levar em conta se as informações
extraídas de outras informações e colocadas em relatórios e/ou gráficos são
suficientes para alcançar o objetivo proposto, ou seja, se dá conta do problema que estamos querendo resolver. Pois,
sempre que uma informação que está em um relatório é ligada a algum evento ou
modificado por novos dados, o “mundo” capturado por essas informações é levada
para dentro desses relatórios e modifica o conhecimento anterior.
Essa mobilização de informações
que podem ser transformadas em dados e levadas de um lugar (que pode ser digital)
para outro (princípio da mobilidade) é o elemento principal dos OEA.
Concluindo
A definição de objetos
estratégicos de análise (OEA) pode ser uma ferramenta para a gestão de setores
e tomada de decisões nas IES, desde que na sua formalização possam ser
mobilizados um número de elementos que se traduzam em gabaritos, gráficos,
tabelas listas etc., e assim sejam significativos e controláveis. O ideal seria
reter o máximo possível de elementos e ainda ser capaz de controla-los.
Referências bibliográficas
ANSOFF,
H. Igor; MCDONNELL, Edward J. Implantando a administração
estratégica. Tradução de Antonio Zoratto Sanvicente. 2. ed.
São Paulo: Atlas, 1993. 587 p., 24cm. ISBN 8522409544.
CASTOR, Belmiro Valverde Jobim. Tamanho não é documento: estratégias
para a pequena e a microempresa brasileira. 1. ed. Curitiba: EBEL, 2006. 283
p., 23cm. ISBN 8587871021
DEMO, Pedro. Pesquisar: Uma
introdução. Acesso em 15 de junho de 2015. Disponível em pedrodemo.blogspot.com/
FOUREZ, Gérad. Educar. Aparecida, São Paulo: Ed.
Ideias e Letras, 2008.
HOUAISS,
Antônio; VILLAR, Mauro de Salles. Dicionário Houaiss da Língua
Portuguesa. 1.
ed. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. 2952 p., 31cm. ISBN 857302383.
LATOUR, Bruno. Ciência em ação: como seguir cientistas
e engenheiros sociedade afora. São Paulo: Editora UNESP, 2000.
AJUDA PARA O CONTEXTUALIZAÇÃO DO TEMA
üA origem de qualquer fenômeno é descoberta utilizando
métodos que permitem observar os fenômenos realizando experimentos que
comprovam ou não a sua procedência. Utilizando-se do “reducionismo categórico”,
que é a tendência a reduzir algo relativamente desconhecido ou pouco entendido
a uma classe de fenômenos mais conhecidos e entendidos, assim procede-se a
análise do objeto.
Uma das finalidades das IES, segundo o Art. 43. II da LDB –
Lei 9394/96, é: “II - formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento,
aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no
desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua”.
A estatística é um bom exemplo de instrumento para o
controle das informações (LATOUR, 2000, p. 385).
