CO² -
COMPRIMIDOS PARA COMPREENSÃO
Operação
Contenção
Lima
nov. 25
Nesse “comprimido”
sobre a Operação Contenção, no Rio de Janeiro em 28.10.25, levanto algumas
indagações para uma reflexão e compreensão desse episódio que aconteceu nos
complexos da Penha e do Alemão.
Em confrontação
entre aproximadamente 2 500 agentes policiais e os integrantes de facções,
os policiais cumpriram cerca 100 mandados de prisão, apreensão drogas, armas,
incluindo 93 fuzis, houve feridos, 121 mortes, sendo 4 policiais.
A
questão da segurança pública segundo a constituição no Art. 144.:
A
segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é
exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do
patrimônio, através dos seguintes órgãos:
I - polícia federal;
II - polícia rodoviária
federal;
III - polícia ferroviária
federal;
IV - polícias civis;
V - polícias militares e
corpos de bombeiros militares.
VI - polícias penais
federal, estaduais e distrital. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº
104, de 2019)
A
partir desse episódio, várias abordagens sobre a pertinência da operação foram proferidas,
também medidas começaram a serem tomadas, vou elencar algumas:
- Consórcio
da paz - Após reunião com governadores aliados, o governador
do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL-RJ), anunciou, nesta quinta-feira (30), o
lançamento de um consórcio de estados focado na área de segurança
pública.
(cnnbrasil.com.br).
- Projeto de
lei antifacção - Governo envia ao Congresso projeto que
endurece penas de integrantes de organizações criminosas (g1.globo.com).
- CPI do
crime organizado - O Senado instalou nesta
terça-feira (4) a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que investigará o
crime organizado no país. Fabiano Contarato (PT-ES) será o presidente
do colegiado, Hamilton Mourão (Republicanos-RS), o vice, e Alessandro
Vieira (MDB-SE), o relator. Ao todo, são 11 integrantes titulares e sete
suplentes. (cnnbrasil.com.br).
Opiniões
de setores distintos foram articuladas, indo desde somente o confronto resolve até
projetos de uma ressocialização de todos.
Pesquisas
mostram que a operação tem amplo apoio da sociedade.
A
aprovação geral da operação foi de 69,6% no levantamento do Paraná Pesquisas, 64% na pesquisa Genial/Quaest e 62% na pesquisa AtlasIntel (esta última também entrevistou pessoas
fora do Rio de Janeiro). O Datafolha usou uma formulação diferente, perguntando
se os entrevistados concordavam com o governador do Rio, Cláudio Castro, quando ele afirmou que operação havia sido
um sucesso: 57% concordaram, ao menos em parte. Dentre todos os grupos
analisados pelos institutos de pesquisa, os únicos que manifestaram
desaprovação maciça à ação policial foram os dos lulistas (desaprovação de 59%)
e os “esquerdistas não lulistas” (70%), na pesquisa Genial/Quaest – neste
recorte, mesmo os eleitores independentes foram majoritariamente favoráveis à
Operação Contenção, com 61% de aprovação.
Quando
os institutos de pesquisa entrevistam os moradores das favelas – as áreas
que mais sofrem com o poder paralelo exercido pelas
facções criminosas –, os números indicam um apoio ainda maior à operação
policial: a AtlasIntel encontrou 87,6% de aprovação entre os entrevistados nas
favelas do Rio, e 80,9% entre os moradores de favelas em todo o país. A
Genial/Quaest optou por recortes de renda e geográficos: a operação policial
foi aprovada por 58% dos moradores do estado do Rio que ganham até 2 salários-mínimos,
69% dos que recebem de 2 a 5 salários-mínimos, e 63% dos que recebem acima
desse valor. No recorte geográfico, a maior aprovação está entre os moradores
da Baixada Fluminense (73%), seguidos pelos que vivem no município do Rio
(68%). (gazetadopovo.com.br)
A
pergunta que fica no ar é quais as ações são necessárias para vencer a
violência e não ter a desgraça de ser condenado a uma vida sob um regime de
medo e insegurança.
Popper
em uma conferência em 1947 com o título Utopia e Violência, ensina:
Em
resumo: a minha proposta é que o sofrimento que se puder evitar deve ser
considerado como o problema mais premente da política pública nacional. [...] Podemos
aprender na medida que escutamos reivindicações concretas e procuramos ponderá-las
pacientemente e tão justa e imparcialmente quanto possível, e podemos procurar
os meios e as vias de satisfazer as exigências mais prementes sem causar com
isso piores males.
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