GESTÃO UNIVERSITÁRIA – Avaliações de “Alto Risco”
Sérgio Ferraz de Lima – Fev. 2013
Neste texto analiso as avaliações externas das instituições
de educação superior, tomando como base a avaliação que resulta no Conceito Preliminar
de Curso (CPC) realizada pelo MEC, dentro do Sistema Nacional de Avaliação da
Educação Superior (SINAES) instituído pela Lei nº 10.861, de 14 de abril de
2004.
Essas avaliações denominadas de “high-stakes” que podem ser traduzidas como de “Alto Risco”, são
avaliações das quais decorrem consequências pesadas, impactando decisivamente
as oportunidades dos avaliados (DEMO, 2010). No caso do ensino superior o
impacto se dá nas instituições, no corpo docente e discente.
Recentemente, no final de 2012, na divulgação do CPC dos
cursos que foram avaliados em 2011, as manchetes dos principais meios de
comunicação indicavam as possíveis consequências.
Como na relação existem cursos de reconhecida qualidade,
surgem dúvidas, o problema está mesmo na qualidade dos cursos ou os
instrumentos não estão “medindo” de forma adequada. Ou ainda, existem formas,
modelos, método para se sair bem nas avaliações? Logicamente, que se parte da
premissa que exista qualidade nas ações acadêmicas desenvolvidas pelas
Instituições de Ensino Superior (IES), e que por algum motivo não foram
captadas pelos instrumentos de avaliação.
Quanto aos critérios “a régua” utilizada para medir a
qualidade, vou deixar para outro momento e dedicar-me a responder a seguinte
pergunta, tendo como premissa a existência da qualidade:
Como se
sair bem nas avaliações externas (ENADE, CPC, etc.)?
Pode-se pensar nos seguintes passos:
Para se aproximar do problema é preciso conhecer profundamente
a sua composição, decompondo-o em dados. Com essa profusão de informações,
montar uma central de calculo, onde se extrai os os elementos mais relevantes, dando
um tratamento nas informações, como nos ensina Latour (2000), tornando-as móveis
para que possam ser deslocadas em planilhas e formulários; que se mantenham estáveis
para que possam ser trazidos e levados sem distorções ou decomposição; que
sejam combináveis de tal modo que possam ser acumulados, agregados ou
embaralhados como um maço de cartas. Em seguida iniciar o desenvolvimento de indicadores
e planos de ações que possam controlar os processos e dar informações sobre a
real situação dos cursos.
Esses indicadores devem ser montados seguindo os critérios
dos instrumentos de avaliação e dos indicadores de qualidade do MEC.
Como exercício, vamos analisar os elementos que compõem o
CPC , que poderá servir, como descrito acima, para a montagem de indicadores
sobre a qualidade dos cursos.
Conceito Preliminar de Curso (CPC)
O CPC combina diversas medidas concernente a qualidade do
curso.
Ao todo, o CPC contempla sete medidas de qualidade do
curso.
- Nota
de Professores Doutores (NPD);
- Nota
de Professores Mestres (NPM) ;
- Nota
de Professores com Regime de Dedicação Integral ou Parcial (NPR);
- Nota
referente à Infraestrutura (NF);
- Nota
referente à Organização Didático-Pedagógica (NO);
- Nota
dos Concluintes no Enade (NC);
- Nota
do Indicador de Diferença entre os Desempenhos Observado e Esperado
(NIDD).
1. Nota de Professores Doutores (NPD)
Os insumos utilizados para o
cálculo da NPD são o número total de docentes vinculados à Unidade i cuja
titulação seja maior ou igual ao Doutorado e o número total de docentes desta Unidade.
2. Nota de Professores Mestres (NPM)
Os insumos utilizados para o cálculo da NPM são o número
total de docentes vinculados à Unidade i cuja titulação seja maior ou
igual ao Mestrado e o número total de docentes desta Unidade.
3. Nota de Professores com Regime de Dedicação Integral
ou Parcial (NPR)
Os insumos utilizados para o cálculo da NPR são o número
total de docentes vinculados à Unidade i cujo regime de dedicação seja
integral ou parcial e o número total de docentes desta Unidade.
4. Nota referente à Infraestrutura (NF)
Os insumos utilizados para o cálculo da NF são o número total
de estudantes vinculados à Unidade i que responderam positivamente a
questão 26 sobre infraestrutura no Questionário do Estudante no Enade, e o
número total de estudantes que responderam essa questão, que possui o seguinte
enunciado: Os equipamentos e/ou materiais disponíveis nos ambientes para
aulas práticas são suficientes para o número de estudantes? E as possíveis
respostas são: A) Sim, todos; B) Sim, a maior parte; C) Somente alguns; D)
Nenhum.
5. Nota referente à Organização Didático-Pedagógica (NO)
Os insumos utilizados para o cálculo da NO são o número
total de estudantes vinculados à Unidade i que responderam positivamente
a questão 34 sobre organização didático-pedagógica no Questionário do
Estudante, e o número total de estudantes que responderam essa questão, que
possui o seguinte enunciado: Na maioria das vezes, os planos de ensino
apresentados pelos professores contêm os seguintes aspectos: objetivos,
metodologias de ensino e critérios de avaliação, conteúdos e bibliografia da disciplina?
E as possíveis respostas são: A) Sim, todos os aspectos; B) Sim, a maior
parte dos aspectos; C) Somente alguns aspectos; D) Nenhum dos aspectos; E) Não
sei responder.
6. Nota dos Concluintes no Enade (NC)
A Nota NC corresponde à mesma nota que dá origem ao Conceito
Enade . Portanto, para cada Unidade i considera-se 75% da nota dos
estudantes concluintes no componente específico do Enade e 25% da nota dos
mesmos estudantes no componente de formação geral do Enade. As notas que entram
no cômputo da são as notas padronizadas e já transformadas na escala de 0 a 5.
7. Nota do Indicador de Diferença entre os Desempenhos
Observado e Esperado (NIDD)
Sabe-se que a diferença entre os desempenhos no Enade de
estudantes egressos de dois cursos de graduação de duas Instituições distintas
não depende somente das diferenças de qualidade entre esses cursos. As
diferenças em relação ao perfil dos estudantes de ambos os cursos ao
ingressar no Ensino Superior também influenciam as diferenças nos resultados.
O Indicador de Diferença entre os Desempenhos Observado e
Esperado (IDD) tem o propósito de trazer às Instituições informações
comparativas dos desempenhos de seus estudantes concluintes em relação aos
resultados médios obtidos pelos concluintes das demais Instituições que possuem
estudantes ingressantes de perfil semelhante ao seu.
Forma de Cálculo
O propósito do CPC é agrupar diferentes medidas da qualidade
do curso, entendidas como medidas imperfeitas da contribuição do curso para a
formação dos estudantes, em uma única
medida com menor erro.
Por meio desses estudos e discussões, determinou-se que os
componentes do CPC serão ponderados conforme apresentado na equação abaixo.
Com a análise dos componentes do CPC pode-se desenvolver
indicadores que serão útil, em primeiro lugar para intervenções imediatas de
teor preventivo e para projetar o desempenho nas avaliações dos
sistemas oficiais, que denomino de “Alto Risco” podendo dessa maneira diminuir
as surpresas na hora da divulgação dos resultados.
As avaliações do
desempenho da Educação Superior vem se firmando como uma ferramenta de correção
e projeção fundamental para a gestão universitária, quanto mais estivermos
preparados para agir nesse ambiente melhor serão os resultados, e assim pode-se
melhorar a aprendizagem dos alunos objetivo final e principal da atividade
acadêmica.














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