SEXTA (FEIRA) DE 3 PONTOS (DE VISTA)
AQUECIMENTO GLOBAL: REALIDADE OU FICÇÃO
SÉRGIO FERRAZ DE LIMA – MAIO 19
1º ponto de
vista: o aquecimento existe e está entre os maiores desafios da humanidade
atualmente. Segundo Harari (p. 111, 2018) “Além disso, estamos nos aproximando
rapidamente de um certo número de pontos de inflexão além dos quais mesmo uma
queda dramática na emissão de gases de efeito estufa não será suficiente para
reverter essa tendência e evitar uma tragédia de abrangência mundial. Por
exemplo, à medida que o aquecimento global derrete os mantos de gelo polar,
menos luz solar é refletida do planeta Terra para o espaço. Isso quer dizer que
o planeta estará absorvendo mais calor, as temperaturas se elevarão ainda mais
e o gelo derreterá ainda mais rapidamente. Quando esse ciclo ultrapassar um
limiar crítico, ele vai criar um impulso próprio irresistível, e todo o gelo
das regiões polares derreterá mesmo que os humanos parem de queimar carvão,
petróleo e gás. Por isso não basta que reconheçamos o perigo que enfrentamos. É
crucial que façamos algo quanto a isso agora”.
2º ponto de
vista: o aquecimento global não existe o planeta sempre teve aumentos de
diminuições de temperatura, o fenômeno não passa de uma mentira, já que não
existem provas científicas de que a Terra está aquecendo. Para o professor de
climatologia da Universidade de São Paulo (USP), Ricardo Augusto Felicio “Quando
o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês)
quer dizer que a Terra esquentou 0,74ºC em 150 anos é o mesmo que contar uma
piada aos climatologistas sérios. As temperaturas já variaram muito mais do que
3ºC ou 5ºC há cerca de 5 mil anos atrás. Em outros períodos, a Geologia nos
retrata valores de mais de 8ºC. Ao mesmo tempo, dependendo da escala
verificada, as variações podem ser grandes ou pequenas e não ocorrem ao mesmo
tempo, nos mesmos lugares. Em certas partes, pode-se observar que as
temperaturas subiram, em outras, que baixaram. Falar em média é uma verdadeira
abstração, que esconde uma gama rica de fenômenos e variações. Não se pode
entender clima assim. Só no último século, as temperaturas subiram e desceram
duas vezes. Isso faz parte da variabilidade climática e não há nada de errado”
(by MARLUCE DE OLIVEIRA,16 DE ABRIL DE 2015).
3º ponto de
vista: o meu. Começo pelas perguntas: Quais os problemas que temos na
relação homem e natureza? Por que a humanidade começa a se preocupar com o
aquecimento global? Quais os problemas apontados pela teoria do aquecimento
global?
Um dos caminhos para responder, de uma forma simples,
essas perguntas é; - quais as contribuições que a teoria do aquecimento global teria
para essas situações.
O aumento na produção de bens e serviços, por uso
intensivo da tecnologia e o aumento da produtividade, para satisfazer a demanda,
trouxe vários efeitos colaterais. O mais preocupante é os prejuízos causados à
natureza. No início, os problemas estavam circunscritos a certas regiões, mas
com o passar do tempo ultrapassaram as fronteiras e tornaram-se problemas
globais, especialmente os que tratam da biodiversidade dos mares e da
atmosfera.
A forma de enfrentar problemas dessa magnitude tem
sido por meio de agências internacionais, como a ONU. Como esse modelo já havia
sido testado e aprovado, repetiu-se a mesma estratégia na questão ambiental. A
princípio, a ONU com suas agências ficou encarregada da gestão; em seguida, com
o agravamento do problema, a sociedade se mobilizou e foram criadas infinidades
de instituições, que se juntaram na empreitada.
Esse mecanismo, que, a princípio, foi utilizado por
países associados, serviu primeiramente para enfrentar o problema ambiental,
por meio de encontros e organismos vinculados à ONU, e que, na década de 90,
ganharam novos espaços, com as ONGs, tipo Greenpeace
e partidos políticos, como o Partido Verde, que possuem um programa de ação
mundial. Analisa-se a alternativa de incorporação da questão ambiental pela
atuação política, materializada nas conferências Rio 92, Protocolo de Quioto e
Rio + 10, e por último o Acordo de Paris, que tratam do tema Desenvolvimento e
Meio Ambiente, sob os auspícios da ONU.
O mundo colocou na agenda a questão ambiental; a
busca de soluções passou a ser a ordem do dia. Vários encontros foram
realizados para diagnosticar e propor soluções para os problemas ambientais. Mesmo
com todo esse esforço, as questões ambientais globais têm previsões negativas.
Os mecanismos implantados pela economia de mercado não têm sido capazes de
diminuir ou de restabelecer as condições de equilíbrio para um desenvolvimento
sustentável. A aplicação dos preceitos
da economia neoclássica apresenta problemas, que aparecem com a presença de
bens e serviços que não são passíveis de serem captados pela lógica do sistema
de mercado. Na maioria das vezes, isso ocorre com atividades econômicas que
impõem custos ou benefícios não contabilizados por nenhuma das partes
envolvidas, essas situações são denominadas externalidades.
O uso
eficiente de recursos naturais não deveria ser problemático se, segundo os
economistas neoclássicos, as condições para o funcionamento do mercado
estivessem presentes. Acontece que o mercado consegue atuar de forma
razoavelmente eficiente, quando se trata de bens e serviços denominados
privados, em condições de concorrência
perfeita. Mas, quando entramos no âmbito das externalidades para encontrar
o ponto “ótimo” de utilização dos recursos, torna-se complexo e essa situação
foge da lógica de mercado. Essa complexidade determina novos contornos ao
problema, e o uso dos recursos passa a não ser orientado pelos preços, que
representam suas taxas de substituição ou transformação em relação aos outros
bens da economia, fazendo com que os preços dos recursos naturais não reflitam
seu custo de oportunidade (SEROA, 1996, p.11). Poucos duvidarão de que a
humanidade criou um problema de dimensões planetárias.
Assim, penso que o foco não deve ser se o aquecimento
global existe ou não existe, mas sim, como a humanidade irá mitigar os
problemas climáticos que estamos enfrentando. Por enquanto se compararmos as
teorias disponíveis com a resolução dos problemas a que melhor tem apresentado
resultados é a do aquecimento global, pois tem avanços louváveis, como no desenvolvimento
de energias renováveis, menos poluentes, na preservação das florestas, reciclagem,
etc., e com uma perspectiva econômica melhor para todos.
A aplicação de novos paradigmas que possam desvendar
as interlocuções entre o homem e o meio ambiente é urgente; é necessário que se
busquem alternativas e propostas que
passem, não somente pela parte operacional, mas acima de tudo, conhecimentos que suportem a resistência da
realidade, que pensem sobre a
complexidade do problema e que façam surgir soluções viáveis.
A escolha de nos tornarmos verdes, não somente o
ser (CASTELLS, 1999), mas a humanidade, é uma tarefa urgente. Caso contrário, é
melhor começar a desenvolver tecnologias para podermos morar em outro planeta,
quem sabe Marte, onde todos, segundo a ficção, já são verdes desde pequenos.
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