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sábado, 27 de julho de 2024

Aquecimento global


SEXTA (FEIRA) DE 3 PONTOS (DE VISTA)
AQUECIMENTO GLOBAL: REALIDADE OU FICÇÃO
SÉRGIO FERRAZ DE LIMA – MAIO 19

1º ponto de vista: o aquecimento existe e está entre os maiores desafios da humanidade atualmente. Segundo Harari (p. 111, 2018) “Além disso, estamos nos aproximando rapidamente de um certo número de pontos de inflexão além dos quais mesmo uma queda dramática na emissão de gases de efeito estufa não será suficiente para reverter essa tendência e evitar uma tragédia de abrangência mundial. Por exemplo, à medida que o aquecimento global derrete os mantos de gelo polar, menos luz solar é refletida do planeta Terra para o espaço. Isso quer dizer que o planeta estará absorvendo mais calor, as temperaturas se elevarão ainda mais e o gelo derreterá ainda mais rapidamente. Quando esse ciclo ultrapassar um limiar crítico, ele vai criar um impulso próprio irresistível, e todo o gelo das regiões polares derreterá mesmo que os humanos parem de queimar carvão, petróleo e gás. Por isso não basta que reconheçamos o perigo que enfrentamos. É crucial que façamos algo quanto a isso agora”.

2º ponto de vista: o aquecimento global não existe o planeta sempre teve aumentos de diminuições de temperatura, o fenômeno não passa de uma mentira, já que não existem provas científicas de que a Terra está aquecendo. Para o professor de climatologia da Universidade de São Paulo (USP), Ricardo Augusto Felicio “Quando o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês) quer dizer que a Terra esquentou 0,74ºC em 150 anos é o mesmo que contar uma piada aos climatologistas sérios. As temperaturas já variaram muito mais do que 3ºC ou 5ºC há cerca de 5 mil anos atrás. Em outros períodos, a Geologia nos retrata valores de mais de 8ºC. Ao mesmo tempo, dependendo da escala verificada, as variações podem ser grandes ou pequenas e não ocorrem ao mesmo tempo, nos mesmos lugares. Em certas partes, pode-se observar que as temperaturas subiram, em outras, que baixaram. Falar em média é uma verdadeira abstração, que esconde uma gama rica de fenômenos e variações. Não se pode entender clima assim. Só no último século, as temperaturas subiram e desceram duas vezes. Isso faz parte da variabilidade climática e não há nada de errado” (by MARLUCE DE OLIVEIRA,16 DE ABRIL DE 2015).

3º ponto de vista: o meu. Começo pelas perguntas: Quais os problemas que temos na relação homem e natureza? Por que a humanidade começa a se preocupar com o aquecimento global? Quais os problemas apontados pela teoria do aquecimento global?
Um dos caminhos para responder, de uma forma simples, essas perguntas é; - quais as contribuições que a teoria do aquecimento global teria para essas situações.
O aumento na produção de bens e serviços, por uso intensivo da tecnologia e o aumento da produtividade, para satisfazer a demanda, trouxe vários efeitos colaterais. O mais preocupante é os prejuízos causados à natureza. No início, os problemas estavam circunscritos a certas regiões, mas com o passar do tempo ultrapassaram as fronteiras e tornaram-se problemas globais, especialmente os que tratam da biodiversidade dos mares e da atmosfera.
A forma de enfrentar problemas dessa magnitude tem sido por meio de agências internacionais, como a ONU. Como esse modelo já havia sido testado e aprovado, repetiu-se a mesma estratégia na questão ambiental. A princípio, a ONU com suas agências ficou encarregada da gestão; em seguida, com o agravamento do problema, a sociedade se mobilizou e foram criadas infinidades de instituições, que se juntaram na empreitada.
Esse mecanismo, que, a princípio, foi utilizado por países associados, serviu primeiramente para enfrentar o problema ambiental, por meio de encontros e organismos vinculados à ONU, e que, na década de 90, ganharam novos espaços, com as ONGs, tipo Greenpeace e partidos políticos, como o Partido Verde, que possuem um programa de ação mundial. Analisa-se a alternativa de incorporação da questão ambiental pela atuação política, materializada nas conferências Rio 92, Protocolo de Quioto e Rio + 10, e por último o Acordo de Paris, que tratam do tema Desenvolvimento e Meio Ambiente, sob os auspícios da ONU.
O mundo colocou na agenda a questão ambiental; a busca de soluções passou a ser a ordem do dia. Vários encontros foram realizados para diagnosticar e propor soluções para os problemas ambientais. Mesmo com todo esse esforço, as questões ambientais globais têm previsões negativas. Os mecanismos implantados pela economia de mercado não têm sido capazes de diminuir ou de restabelecer as condições de equilíbrio para um desenvolvimento sustentável. A aplicação dos preceitos da economia neoclássica apresenta problemas, que aparecem com a presença de bens e serviços que não são passíveis de serem captados pela lógica do sistema de mercado. Na maioria das vezes, isso ocorre com atividades econômicas que impõem custos ou benefícios não contabilizados por nenhuma das partes envolvidas, essas situações são denominadas externalidades.
O uso eficiente de recursos naturais não deveria ser problemático se, segundo os economistas neoclássicos, as condições para o funcionamento do mercado estivessem presentes. Acontece que o mercado consegue atuar de forma razoavelmente eficiente, quando se trata de bens e serviços denominados privados, em condições de concorrência perfeita. Mas, quando entramos no âmbito das externalidades para encontrar o ponto “ótimo” de utilização dos recursos, torna-se complexo e essa situação foge da lógica de mercado. Essa complexidade determina novos contornos ao problema, e o uso dos recursos passa a não ser orientado pelos preços, que representam suas taxas de substituição ou transformação em relação aos outros bens da economia, fazendo com que os preços dos recursos naturais não reflitam seu custo de oportunidade (SEROA, 1996, p.11). Poucos duvidarão de que a humanidade criou um problema de dimensões planetárias.
Assim, penso que o foco não deve ser se o aquecimento global existe ou não existe, mas sim, como a humanidade irá mitigar os problemas climáticos que estamos enfrentando. Por enquanto se compararmos as teorias disponíveis com a resolução dos problemas a que melhor tem apresentado resultados é a do aquecimento global, pois tem avanços louváveis, como no desenvolvimento de energias renováveis, menos poluentes, na preservação das florestas, reciclagem, etc., e com uma perspectiva econômica melhor para todos.
A aplicação de novos paradigmas que possam desvendar as interlocuções entre o homem e o meio ambiente é urgente; é necessário que se busquem  alternativas e propostas que passem, não somente pela parte operacional, mas acima de tudo,  conhecimentos que suportem a resistência da realidade, que pensem sobre  a complexidade do problema e que façam surgir soluções viáveis.
A escolha de nos tornarmos verdes, não somente o ser (CASTELLS, 1999), mas a humanidade, é uma tarefa urgente. Caso contrário, é melhor começar a desenvolver tecnologias para podermos morar em outro planeta, quem sabe Marte, onde todos, segundo a ficção, já são verdes desde pequenos. 

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