Sérgio Ferraz de Lima – março 2011
Trato nesse texto da aprendizagem customizada. Para uma aproximação do assunto, pode-se entender o processo de aprendizagem como o modo que os seres adquirem novos conhecimentos, desenvolvem competências e mudam o comportamento. Enquanto, customização na educação, pode ser percebida como a forma de atender necessidades específicas de alunos individualmente.
Juntando as duas palavras temos um conceito que se baliza pela possibilidade de adquirir conhecimentos e desenvolver competências, levando-se em conta as características de cada aluno, para uma melhor aprendizagem.
No modelo atual do ensino superior brasileiro temos dois sistemas dominantes de organizar o currículo de um curso:
l Sistema seriado - entendido como a organização de um currículo em que as atividades e disciplinas teóricas ou práticas são distribuídas em blocos solidários, realizados num determinado período de tempo chamado de série (INEP, 2006);
l Sistema de créditos – entendido como a organização de um currículo em que as disciplinas teóricas ou práticas são independentes. Embora, organicamente relacionadas (algumas podem se constituir em pré-requisitos de outras), cada uma correspondendo a um determinado número de créditos ou horas-aula semanal que, quando somados, deverão integralizar o número de créditos exigidos para a conclusão do curso. Usualmente, os sistemas de créditos oferecem mais flexibilidade na formação, compartilhando disciplinas com vários cursos e facilitando a transferência do aluno de um curso para outro (INEP, 2006).
Com uma simples leitura dessas definições somos capazes de notar que um processo de customização (adaptar currículos as necessidades de aprendizagem dos estudantes) o sistema de créditos possui maior potencialidade.
O sistema de créditos é um meio pelo qual, baseando-se no que é comum - o trabalho exigido do estudante para a aquisição do conhecimento - tornam-se comparáveis, entre si, as diversas disciplinas, malgrado as diferenças do conteúdo, metodologia do ensino etc.(indicação nº 4 CFE/71).
Com a opção pelo sistema de credito, incorporamos o conceito de disciplina optativa, e a estrutura organizacional de um curso poderá ser definida com disciplinas obrigatórias e as optativas em períodos de aconselhamento, o que não implica obrigação de o aluno cumpri-las na ordem apresentada, exceto na existência de pré-requisitos.
No sistema de créditos, a flexibilidade é maior, os alunos elaboram o seu projeto de aprendizagem juntamente com um tutor. A alocação se dá em disciplinas do curso que estão sendo ofertadas em toda a instituição. A principal mudança ou ganho é que a unidade de gestão passa a ser o aluno e não mais a série.
As disciplinas de todos os cursos estarão abertas a qualquer aluno que demonstre estar interessado e habilitado a cursá-las. Os componentes curriculares serão organizados não por série, mas por nível de importância e profundidade que o aluno quer alcançar naquela área do conhecimento.
O sistema de credito é a base para customizar o curso aos anseios do estudante, possibilitando a montagem de uma matriz curricular individualizada, que tenha os conteúdos necessários para o exercício de uma profissão, com áreas de interesse pessoal em destaque. Além disso, essas escolhas podem suprir alguma deficiência de conhecimentos à aprendizagem (nivelamento), pois o aluno pode matricular-se em matérias básicas, contando como credito.
Implícita a esta idéia está à pretensão de construir a autonomia do estudante fazendo a sua própria trajetória e dedicando-se a assuntos de maior interesse para a sua vida pessoal e profissional.
A grande dificuldade encontrada para aplicação do sistema de credito era elaborar currículos que pudessem rapidamente cumprir com duas premissas: os interesses específicos dos alunos e alocação nas disciplinas ofertadas. Mas, com as novas tecnologias, principalmente com a facilidade de processamento de informações em tempo real, ganhou-se a agilidade necessária para cumprir a customização, ou seja, pode-se rapidamente montar uma matriz curricular cruzando as variáveis necessárias para um melhor aproveitamento dos recursos pedagógicos disponíveis.
Portanto, a viabilidade desse sistema está vinculada ao aproveitamento intensivo das novas tecnologias, tanto na parte administrativa (montagem do currículo, matriculas, etc.) como na acadêmica (construção de ambientes virtuais que promovem aprendizagem, atividades que proporcionam feedback imediato sobre sua performance, etc.).
Enfim, se objetivo maior é a aprendizagem do aluno não há mais espaço para uma educação pela média, tentando colocar conteúdos goela abaixo, mesmo porque na média não mora ninguém. A criação de um ambiente mais produtivo e educativo resulta do aproveitamento tanto do trabalho individual como do coletivo, nisso os ambientes virtuais criados pelas novas tecnologias, são fundamentais.



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